• 3 de agosto de 2020

Finalidades de uso e riscos – Toxina Botulínica parte III

Quais as finalidades de uso e riscos envolvidos? – Toxina Botulínica Parte

     As aplicações da toxina botulínica são diversas, incluindo aquelas que precederam seu uso estético, como para tratar estrabismo e vaginismo. A toxina botulínica é muito usada em todo o mundo como medicação para espasmos musculares, justamente por impedir a liberação de acetilcolina (o neurotransmissor responsável por engatilhar a contração muscular) na placa motora. Neste caso, são usadas doses ‘cavalares’, pois muitas vezes a musculatura corporal envolvida é extensa e muito forte (mais que o habitual). Muitos pacientes com síndromes espasmódicas são tratadas no Brasil com recursos do SUS, o que é algo muito importante, por reduzir a estigmatização destes pacientes.

     Mas, e as outras aplicações dermatológicas, fora o esperado relaxamento muscular das rugas faciais? Ainda na face, a toxina botulínica pode realizar alguns efeitos tipo “cinderela”: propiciar a “ocidentalização do olhar”, aumentando levemente a abertura ocular através de um pontinho abaixo da linha hemipupilar (trata-se de um ponto avançado, que poucos médicos estão habilitados a realizar, por riscos envolvidos nesta região). Outros pontos avançados incluem a região próxima ao nariz (empina um pouco a ponta do nariz) e à boca (todo cuidado é pouco nessa região para não gerar aspecto artificial. Na dúvida, não faça).

     Bom, a toxina pode, ainda, ser usada para aliviar a tensão de cicatrizes, e também para atenuar rugas mistas do pescoço e colo. Em cicatrizes, ela também merece um cuidado especial, pois muitas vezes, dependendo da região, tratar-se-há de um ponto avançado por ser zona de risco.

     Quando dizemos zona de risco quer dizer que é possível deixar ali uma lesão temporária com relaxamento ou bloqueio indesejável da ação muscular, ou seja, acaba-se atacando outra região e gerando um aspecto nada natural. Ex: ptose palpebral (pálpebra caída sobre o olho), queda do canto da boca, sorriso que não abre direito, dificuldade de chupar. Sei que não se fala muito disso por aí, mas acho de suma importância que o médico alerte o paciente destes riscos, que dependem sempre da técnica usada. Se ocorreu algo assim, há um alerta para a forma com que foi aplicada a toxina, ou no que tange ao local ou à dosagem utilizada.

     Ainda dentro do espectro de uso cosmético, a toxina botulínica pode ser utilizada para reduzir a hipersecreção de glândulas sudoríparas (axilares, palmo-plantares e genitais). No caso da hiper-hidrose, uma condição de difícil abordagem e tratamento, a toxina também oferece grande alívio ao paciente que, em geral, sofre de grande estigmatização sócioemocional, e até profissional.

     Em todas as situações acima citadas seu uso já está consagrado, oferecendo, através das injeções locais, ótima tolerância ao procedimento por parte do paciente, e segurança na distribuição do medicamento, desde que respeitada a técnica de aplicação.

     No tratamento de rugas, as exclusivamente dinâmicas (ou de expressão) são a melhor indicação para o uso da toxina. Se você possui um músculo hiperfuncionante, seja pela estrutura avantajada do mesmo e/ou pela expressão (medo, raiva, ansiedade…) utilizada em demasia, está na hora de avaliar o uso da toxina, antes que a ruga se aprofunde mais, e por definitivo. As rugas mistas (em que há um componente flácido associado) e puramente flácidas (rugas antigas, estáticas, permanentemente marcadas, independentemente do uso da musculatura, como as rugas “de travesseiro”) se beneficiam pouco do fármaco. Se este for o seu caso, não é preciso desespero: a combinação de Toxina Botulínica e outras terapias como preenchimentos, bioplastia e minilifting oferecem resultados incríveis e sem nenhuma complexidade; basta consultar o seu médico.

     O mais importante é iniciar o tratamento o quanto antes, para evitar que uma ruga primária se torne secundária, terciária, enfim, uma ruga de difícil tratamento, uma vez que a pele vai formando uma fissura ou vinco cada vez mais profundo. Quanto mais precoce for o tratamento com a toxina, mais preventivamente se está agindo em relação ao envelhecimento cutâneo. Estudos recentes demonstram ainda um aumento da síntese de colágeno com o uso regular da toxina.

     É importante lembrar que o mito de se adquirir uma fisionomia “congelada” ou sem expressão advém de dosagens acima da média para a região tratada. Quando o produto adentrou o mercado, não havia ainda um consenso único de protocolo de aplicação, somado ao erro de técnica de médicos despreparados ou que cediam aos apelos do paciente para dosagens maiores. Isso acabou gerando uma imagem negativa do procedimento, mas quem o conhece ama, e não raro diz ser a melhor alternativa não cirúrgica ao envelhecimento.

   O papel do médico é avaliar criteriosamente a dose necessária para cada caso, respeitando sua indicação, com neutralidade e parcimônia. Ele pode perfeitamente tratar uma ruga isolada, apenas elevar ou reduzir a altura das sobrancelhas, aumentar a abertura ocular ou disfarçar bolsas subpalpebrais, não necessariamente em paciente de faixa etária elevada, sem alterar a dinâmica da mímica facial dele, e sem que o procedimento seja perceptível para os outros.

     Se você tem indicações ao tratamento e está sendo tratado por um bom médico, cauteloso e com boas mãos, não restam dúvidas que irá gostar do resultado, a aceitação é mesmo global.

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Sophia

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